Tola menina estática a sorrir para o computador diante da declaração inesperada. Tola menina distraída a sorrir para a vida diante das possibilidades a surgir. Tola menina a divagar, com um frio na barriga, aonde o passo seguinte vai levar. Tola menina apaixonada.

Menina que fez de sua vida um roteiro pré-programado, datas pré-marcadas e sonhos tão bem organizados. Esqueceu-se, contudo, que os melhores momentos não estariam marcados em seu calendário. Esqueceu-se que os melhores dias chegariam ao acaso, numa segunda-feira ensolarada ou numa inusitada quarta nublada.

Tola menina mulher a sonhar que sua vida poderia fugir dos clichês de cinema, que poderia ser personagem secundária e viver sua vida bem estruturada. Menina tola em não perceber: aprendeu a viver apaixonada, aprendeu a viver em sua realista terra de ficção afinal.

E chora feito criança ao perceber: não vai funcionar. A vida não se programa como uma agenda escolar ou um computador. Na vida não se marca data para se apaixonar, como não se sabe em que dia ela, a vida, irá acabar. Na vida se vive de metamorfoses constantes.

E talvez seu erro seja não errar. Talvez a melhor maneira de seguir os planos seja não planejar. Talvez a vida venha numa previsível sequencia de acasos inesperados. Talvez precise se perder para se encontrar.

Louca menina apaixonada a esquecer-se então do amanhã e viver da insanidade do agora. Já não teme as feridas que possa ganhar, arrisca-se em falar de sentimentos que outrora preferia ocultar. Insana menina amada a perder-se em lençóis, em suor, em amor. Apenas vive e deixa a vida seu rumo tomar.

Ainda soa absurdamente estranho poder te dizer que gosto tanto de você!

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