Shipper: Tonks/Moody
Censura: Livre
Gênero: Ficção científica
Obs. Universo Alternativo




Prólogo – Uma terra de heróis.

 A Terra tornara-se então apenas uma sombra do que fora outrora. Os céus eram perfeitos campos em batalha, enquanto o subterrâneo das cidades em ruínas e o interior do que sobrara das antigas florestas eram ótimos esconderijos e centros de treinamentos dos últimos exércitos terráqueos. Um viajante do tempo não reconheceria sua terra natal ou aqueles que foram os mais belos pontos turísticos do planeta.

Porém, bastaria encontrar um ser humano para fazer uma pequena observação: a civilização nunca antes fora tão bela! Pois cada homem e cada mulher era um sobrevivente, e era também um herói. Cada pessoa que lutava pela própria vida conhecia o valor do próprio ar que respirava e da água rara que bebia.

Aleister Moody era um destes sobreviventes, e um grande herói. Era um velho combatente das primeiras guerras interplanetárias e um líder imbatível. Em seu rosto marcado pelas cicatrizes um sorriso disfarçado surgia sempre quando a batalha se aproximava, pois assim sentia-se como um herói das velhas estórias.

Não havia nada que agradasse mais a Moody do que enfraquecer o inimigo e descobrir suas estratégias. A não ser, talvez, por ver sua pequena pupila seguir seus passos e pilotar sua própria nave espacial, a jovem Ninfadora Tonks.

A jovem auror – pois assim se denominavam os soldados que lutavam para defender a Terra do domínio dos invasores – passara boa parte de sua vida ao lado do líder daquele exército. E poderia dizer que tudo que sabia e o que era devia a ele, pois se fora algo antes não poderia saber.

A vida de Ninfadora parecia ter começado aos dez anos, quando acordara na paisagem desolada do único satélite natural da Terra. Não sabia quem eram seus pais, e nem se recordava de sua infância. Sobrevivera por ter a sorte de encontrar um jovem soldado que costumava pensar antes de agir: Remo Lupin. Qualquer outro teria disparado alguns tiros antes de aproximar-se da estranha criatura que mudava de cor como um camaleão.

A garota teria sido adotada por uma família de agricultores que vivia aos pés das montanhas. Porém, descobriu-se que com algum tempo de treinamento poderia ser uma boa guerreira. A partir de então, Ninfadora Tonks tornara-se responsabilidade de Aleister Moody, general do exército europeu.

Nas bases do exército não havia tempo para a infância ou adolescência. Toda brincadeira era também um treinamento ou um enigma a ser desvendado. E ali Ninfadora Tonks cresceu, ali aprendeu a amar e temer seu tutor e líder. Por mais que falassem de sua loucura seria sempre Aleister quem ela veria como símbolo de respeito, tão diferente dos jovens soldados que cresceram em sua companhia.


Parte I – O líder


Naquele ano a Terra estava em guerra contra o planeta de Betelgeuse, próximo a uma estrela de mesmo nome. E eram raras as guerras que durassem vários anos, pois a tecnologia possibilita também o acontecimento de mais mortes em menos tempo. Qualquer minuto poderia ser decisivo, qualquer conhecimento a mais poderia ser a salvação.

O primeiro exército, que viera de bases secretas na Ásia, partira há um dia e encontrava-se em batalha fora do sistema solar. Era um exército composto quase completamente por maquinas e clones. Seu objetivo era somente enfraquecer o inimigo. Aquele era o dia em que partiria o exército europeu unido aos pequenos povos terráqueos. Sua base secreta, curiosamente, encontrava-se na Antártida. E para aquele local desolado os guerreiros iriam pelo teletransporte.

As geleiras eram então maiores do que há pouco mais de um século. Enquanto o ser humano estava preocupado em olhar para o céu e desenvolver sua tecnologia espacial a natureza ganhou seu tempo para recuperar-se. E recuperava-se aos poucos de tantos séculos de abuso de seus benefícios, poluição e maltrato de suas vidas.

Faltava cerca de uma hora para a partida. Aleister Moody, na condição de líder, ordenara que todas as espaçonaves, assim como todas as formas de armas, fossem verificadas. Caminhava entre as naves e os soldados e trabalhadores que corriam para ajustar os últimos detalhes.

Os soldados preparavam-se para uma nova batalha, aquela que para muitos seria a última, independente de qual lado venceria. Soldados que em sua grande maioria não eram somente soldados, mas também físicos e astrônomos. As guerras já não eram mesmas e suas necessidades também eram outras.

Para Tonks era apenas sua primeira batalha e ela tentava controlar seu nervosismo. Era uma das poucas mulheres ali que sabia pilotar naves espaciais, mas não se importava com isso, sentia até certo orgulho. Vendo a jovem sozinha a verificar a parte externa da nave de alta tecnologia Aleister aproximou-se.

- Ninfadora, quero falar com você – anunciou assustando despropositadamente a metamorfomaga. – E fique mais atenta ou não poderei permitir que pilote uma espaçonave sozinha.

- Não me chame de Ninfadora – respondeu irritada por ser chamada por aquele nome que tanto lhe desagradava.

- Venha comigo.

Sabendo que Aleister era não somente seu tutor, mas também o general daquela divisão, Tonks não ousou desobedece-lo quando o viu afastar-se a passos largos. Este dirigiu-se para perto das montanhas que não ficavam tão longe daquela base secreta e mesmo quando a jovem alcançou-o Moody não parou.

Ela o conhecia bem o suficiente para saber que não deveria perguntar o que ele queria lhe dizer. Deveria esperar.

- Antes que parta em sua primeira batalha acredito que seja minha obrigação contar-te alguns fatos. E quero também que saiba que parte desta história eu soube tempos depois de você chegar. Contarei quem era você, Tonks, antes de chegar à Lua.


Parte II – Lendas de outro mundo.


Nas terras de Betelgeuse vivia a princesa Andrômeda, dizem que muito bela ela era e que todos os jovens da nobreza desejavam conquistar seu coração. Mas havia também um criado que escondido admirava a moça sempre quando esta saía para passear nos jardins do castelo. Este era Teddy Tonks, um homem que vinha da mais baixa classe daquela sociedade.

Aconteceu que certo dia a princesa encontrou-o conversando com suas flores, pois elas eram as melhores amigas do jardineiro. E Teddy falava da beleza de sua amada, falava em poesias e falava de amor. A mulher que, ao contrário de suas irmãs, ignorava as diferenças de classe encantou-se por aquele homem bonito e romântico.

E assim surgia o amor proibido entre Teddy e Andrômeda. Um amor que parecia crescer cada vez mais a cada encontro. E Teddy pensava estar vivendo o mais belo de seus sonhos. E se naquele povo a nobreza fosse avaliada pelo coração e não pelo sangue então Teddy seria o rei de tão nobre.

Mas a princesa era comprometida, por uma infeliz escolha de seu pai. E sendo uma princesa ela deveria casar-se com um lorde de alta classe, não importava que este fosse um tirano cruel. E assim aconteceu. E as flores escutaram o lamento do rapaz e foram regadas por suas lágrimas amargas no dia daquela cerimônia.

Quis o destino que a princesa visitasse o castelo de seu pai e visse novamente seu amado. E num quarto esquecido do castelo os amantes consumaram sua paixão e amaram-se em segredo. Pela primeira vez. Pelo último encontro e pelos últimos sorrisos.

Dessa paixão nasceu uma criança, uma bela menina, que a princesa mentiu ser filha de seu marido. Seu nome era Ninfadora. Tudo teria ficado bem não fosse por um acontecimento: anos mais tarde Bellatrix, a outra filha do rei, descobriu os segredos de sua irmã. A verdade chegou ao conhecimento do rei e também do marido de Andrômeda.

Tomados pela ira do ciúme e do preconceito aqueles homens de poder arquitetaram o devido castigo para aquela infração. A mestiça e o jardineiro deveriam ser executados. O próprio lorde encarregou-se de assassinar aquele que tomara em seus braços sua mulher. Porém, a tarefa de matar a criança seria dada a um soldado.

A mãe desesperada arrancou o colar que representava sua realeza e entregou-o a jovem menina mandando que o guardasse consigo. Com uma promessa e uma confiança quase infantil de que esta joia seria seu amuleto e salvaria a pequena.

O soldado chamava-se Regulo Black e como ordenado levou a criança para um local isolado procurando coragem para arrancar sua vida inocente. Mas seria incapaz de realizar tão cruel tarefa e sendo assim decidira abandoná-la numa terra onde seu povo jamais a encontraria. E numa espaçonave particular levou a menina para a Borda Ocidental da Galáxia, correndo riscos deixou-a num pequeno satélite de forma que ela pudesse ser encontrada com vida por alguém mais digno.

Entre seu povo ninguém jamais tornou a ver o jovem soldado e há aqueles que julgam que ele seguiu o mesmo caminho desordeiro do irmão. Outros dizem que este suicidou-se por não suportar sua terrível missão.


Parte III – A Princesa e o Guerreiro


- Que história terrível e bela! Isso tudo é verdade?

- É claro que certos fatos não podem ser confirmados, mas você é a prova de que ao menos parte disso é real.

- Mas... minha mãe continua viva e casada com o tirano que matou meu pai? – A descrença mudara para desgosto.

- Dizem também que não foram poucas as vezes que ela tentou fugir de seu castelo, pois lá é prisioneira. – Aleister não sabia que reação esperar de sua pupila e sequer pensara em como deveria agir.

- Então devemos salvá-la, por mais que isso possa representar a morte. Não posso suportar essa ideia tão...

O homem podia ver em sua aprendiza e em todas suas atitudes partes do que havia ensinado. Via que ela tinha parte de sua paixão por estar na guerra e também poderia desenvolver sua coragem sem transformá-la em egocentrismo. Por mais que ela não fosse sua filha, poderia encontrar pequenas marcas de si em seu olhar sonhador e ao mesmo tempo realista.

- Tonks, é sua escolha se deseja ou não ir para essa batalha. Não posso obriga-la a lutar contra seu próprio povo.

Toda a vida que Tonks poderia se recordar fora a preparação para aquela batalha, jamais vira outra opção além daquela que seguia. E agora ali estava Aleister Moody – o homem que muitas vezes fizera o papel de um pai e professor severo – lhe dando a escolha de seguir em frente ou simplesmente voltar e mudar de lado.

Mas ela não poderia voltar, desistir seria uma covardia. Pois agora seu coração era terráqueo e habitava entre as últimas florestas e geleiras. Não importava que seu DNA não fizesse sentido para aqueles cientistas. Ela sentia-se humana, crescera como tal e se apaixonara por essa espécie.

- Cresci como humana e vou defender a raça que me acolheu e me fez ser quem sou.

Moody sorriu orgulhoso, sabia que Tonks não o decepcionaria. Porém, faltavam-lhe palavras. Ele era um homem que trabalhava com estratégias de guerras, não saberia falar sobre sentimentos. Optou então por desviar o olhar daqueles olhos agora verdes como a própria esperança.

A paisagem ao redor era bela e ao mesmo tempo desoladora. As montanhas pareciam beijar o céu enquanto o gelo e a neve estendiam-se para além do horizonte. O céu era de um azul assustadoramente perfeito, por mais que naquele lugar as tempestades de neve costumassem chegar de repente. Vistas de longe as próprias naves tornavam-se quase imperceptíveis devido à camuflagem branca. As formas de vida naquele extremo do planeta eram raras e ariscas devido às gerações humanas de outro século. No entanto, era impossível não ver um motivo para defender aquele planeta.

- Tonks, há algo seu comigo, acho que chegou a hora de devolvê-lo.

A jovem mulher, que também se distraíra com a paisagem, olhou-o curiosa. Os presentes que ganhara de seu tutor se limitavam a lições de guerra e moral. No entanto, ali estava Aleister retirando de um bolso interno de seu casaco um pequeno objeto que não deveria medir sequer dois centímetros.

Tratava-se de uma pequena joia, um colar, e seu pingente era uma pequena estrela brilhante moldada em alguma pedra preciosa desconhecida. O material da fina corrente parecia prata e, no entanto sua beleza parecia superior e mais brilhante do que qualquer metal. Cuidadosa a jovem pegou o objeto e o observava admirada.

- É tão... bonito! – Ela sorria. – Este... este é o amuleto da minha mãe?

- Estava com você quando foi encontrada. O objeto foi inspecionado diversas vezes, pois poderia conter algum perigo oculto. Nossas fontes indicam que essa estrela é a representação de Betelgeuse, o que é como uma figura religiosa por lá.

Por um instante Ninfadora Tonks sentiu simpatia por aquele povo que a renegara e odiou todas as guerras. Pois parecia impossível que aqueles que ela vira sempre como tiranos cruéis fossem também capazes de fazer tão bela arte e apreciar alguma cultura. E foi assim que compreendeu que não havia bem e mal, mas somente opiniões e culturas diferentes que em conflito poderiam gerar a guerra. Mal sabia que aquela era também a última lição de vida que seu mestre lhe ensinava.

- Isso é tão... é como se emanasse uma energia positiva. Não sei explicar. – e sem perceber ela sorria novamente – Poderia colocá-lo em mim?

Apesar de todas as blusas que a metamorfomaga vestia, Aleister não encontrou dificuldade para arrumar a bela joia em seu pescoço. Sentia-se apenas sem jeito por tal gesto tão íntimo para alguém que estava habituado a manejar armas e a dar ordens para outros homens.

Então ela virou-se de frente e já não era apenas Tonks, era então a princesa de uma terra distante. Era aquela que ele ensinara e que sempre amara de diferentes formas. Era princesa, era filha, e também uma forasteira no seu mundo, mas, sobretudo era mulher e guerreira. Vinha de outro planeta e ainda assim ele não poderia deixar de amá-la.

E Aleister amava-a ao seu modo, sempre calado, pois não gostava de falar em sentimentos. Não havia tempo para falar sobre si quando as guerras iam e vinham. E ele amava principalmente as guerras, nascera para lutar nelas e sem elas sua vida sempre teria uma cicatriz, mais complexa do que aquelas que carregava em cada centímetro de seu corpo.

- Como estou? – A pergunta, por mais natural que fosse, pegou-o desprevenido.

- Está... linda!

Jamais usara tal palavra para descrevê-la, pois seus elogios eram raros e limitavam-se a comentar inteligência e personalidade. Não era o tipo de pessoa que costuma perder tempo pensando em aparência. E Ninfadora conhecia-o bem para notar tal detalhe.

- Aleister, não sei se já falei isso, mas desde a primeira vez que coloquei meus pés neste planeta admiro-o muito.

Sem perceber Tonks aproximara-se de seu tutor e via de perto aquelas cicatrizes que tão bem conhecia devido aos anos de convivência. E suas palavras, embora guardadas há muito tempo, saiam sem que tivesse completo controle sobre elas. Pois a guerra faz com que as pessoas digam coisas que em tempos de paz jamais teriam coragem para dizer.

- Admiro-te como líder, como guerreiro e como homem.

O homem sentia seu ego crescer e ao mesmo tempo sentia-se tão vulnerável diante de tal situação. Talvez fosse realmente um louco preocupado apenas com guerras e precauções. E ainda assim tinha diante de si uma bela e jovem mulher, tão cobiçada por aqueles homens que ele treinava em seu exército.

E foi quando as mãos macias da jovem tocaram seu rosto e também suas cicatrizes que ele hesitou por um momento. Não saberia se deveria agir como pai, como o líder de um exército ou como homem. Sabia somente das emoções controversas que reinavam em seu ser. Emoções tão estranhas e confusas como aquele momento também era.

Mas se não sabia como agir, saberia ainda menos o que dizer. E sendo assim permitiu que tudo apenas acontecesse. Afinal tempos de guerra são também confusos, e as vésperas das batalhas geram também emoções contraditórias. E então ele já não era mais pai, tutor ou líder de batalhas. Era apenas um homem a selar seus lábios aos de sua amada.

Moody envolveu-a em seus braços que há muito não se importavam com abraços e a presença feminina. Os lábios tocaram-se misturando todas as emoções possíveis de um amor recém-descoberto. Mas também um amor feito para durar somente um momento. E não importaria se o beijo durasse todo o dia polar ou um ano inteiro em Júpiter.

E ela soube que sempre o amou, e aquelas cicatrizes que agora tocava sem medo também sabiam ser belas diante do que significavam. E ele soube que foi por ela que lutou em tantas batalhas, foi apenas para ser quem era, foi apenas para encontrá-la.

Era também um beijo intenso. E não mais fazia frio no verão mais gelado do planeta, pois o calor emanava de dentro para fora. Aquele momento que durara uma fração de hora e toda a eternidade seria o que Aleister levaria até o fim em sua memória.

Mas até mesmo o mais longo dos dias polares precisa ter um fim. Então as bocas separaram-se mudas e perplexas. Não havia o que dizer. Havia somente uma batalha para vencer.

Reaproximaram-se de suas naves sem uma única palavra ou sorriso trocado. E agora Aleister Moody era novamente líder e sua paixão era apenas a guerra e derrotar o inimigo. E somente assim poderia provar novamente o beijo de sua princesa e amante.

Mas até quando a guerra aceitaria carregar aquele guerreiro em seus braços?




Parte IV – A partida do grande guerreiro.


Aleister Moody estava mais uma vez diante daquele tão conhecido painel de controle. Para alguém que desconhecesse tamanha tecnologia seria impossível compreender aquela imensidão de botões, luzes e telas. Para ele aquilo representava uma velha brincadeira que vinha de sua adolescência, quando espaçonaves de guerra ainda eram novidade em seu planeta.

Sentiu o impacto da nave ao deixar a atmosfera. Estava mais uma vez no espaço, na terra sem terras, o seu campo de batalha. Apesar de tudo sentia-se bem ali, pois estava fazendo aquilo que melhor entendia. Estava indo para a guerra. Observou através de uma de suas telas o planeta que ficava atrás de si. Planeta azul. Sabia que poderia ser a última vez que admirava aquela bela paisagem, poderia ser a última vez que via seu lar.

Orou para que sua Tonks sobrevivesse, para que se preciso fosse ela pudesse substitui-lo em seu posto. E de todos seus soldados era nela em quem mais confiava. Orou. Mas orou para quem? Ou para o que?

Mestre Dumbledore dizia para que seu povo confiasse na Força, que se seguissem o lado certo no fim tudo ficaria bem. A Força. Dumbledore também falava que ela sempre esteve ao lado dos humanos e sempre foi representada por diversos nomes ao longo da história.

Mas Aleister não sabia em quem acreditar. Não sabia se aquele era realmente o lado do bem. E sequer sabia se deveria acreditar.

E foi assim refletindo sobre questões que sempre afligiriam os homem que Aleister Moody atingiu a velocidade da luz. E assim fizeram todas as outras espaçonaves daquela divisão.

Já estavam fora do sistema solar quando os alertas anunciaram a aproximação das naves inimigas, antes do esperado. O exército de maquinas que saíra no dia anterior provavelmente fora derrotado. Numa velocidade inferior a batalha começaria. Não havia sangue e cenas de embrulhar o estômago. Era apenas mais um espetáculo de luz e explosões no universo infinito. O espetáculo da destruição, que era ao mesmo tempo belo e terrível.

E aqueles que morriam se faziam em energia junto com suas próprias naves. Sem corpos para velar ou identificar. Sem provas de que não haveriam se perdido.

E aconteceu que a nave em que se encontrava o general Moody foi vítima de um ataque. Não explodiu de imediato, mas teve parte de seu motor atingido. E assim o homem viu-se obrigado a fazer um pouso forçado no corpo celeste mais próximo, um pequeno planeta desabitado.

Ninfadora Tonks não estava distante neste momento e viu a nave que parecia prestes a explodir. A nave que ela atacava explodiu nas mais diversas cores e logo depois desapareceu para sempre no espaço. Preocupada voltou-se suas atenções para a nave do tutor e seguiu-o cautelosa.

Antes que sua própria nave tocasse o chão, porém, Tonks viu a outra nave explodir em chamas já na superfície do planeta. O fogo deixava bem evidente a presença de oxigênio que o painel de sua própria nave também indicou. Sem pensar em qualquer risco desceu naquele solo desconhecido que lembrava em muito a paisagem de um deserto.

Mas a nave de Moody se resumia a fogo e metal. Não haveria muito que ela pudesse fazer, sabia disso e insistia em não acreditar.

Foi quando avistou não muito longe dos restos da nave um pequeno movimento. Poderia ser uma forma de vida desconhecida, mas não pensou nesta possibilidade. Com novas esperanças correu para lá e encontrou seu amado caído no chão e ali se ajoelhou diante daquele homem.

E as cicatrizes eram mais uma vez cortes recentes, nas mãos e nos braços eram as marcas e o sangue da queda. Enquanto uma de suas pernas estava visivelmente quebrada. Não era mais um belo espetáculo, era apenas o drama da dor de mais uma guerra. A dor diante da perda e da morte tão próxima.

- Volte para a batalha, Tonks. – estas foram suas palavras, apesar de toda a dor.

A mulher chorava com medo do que aconteceria. E de todas as guerras esperaria tudo, menos a morte de seu líder, de seu herói. E, no entanto até mesmo o tom de sua voz deixava claro o que estava por vir.

- NÃO. Eu te levarei para a minha nave e logo poderei ajudá-lo.

- Tonks, prometa-me que vencerá está guerra.

Não importava que a promessa pudesse parecer absurda, ela concordou entre soluços. E lutaria naquela guerra até a morte, se preciso fosse.

- E eu acredito que um dia você poderá comandar todo aquele exército.

Embora suas palavras fossem aquelas, tudo o que Aleister queria era ter certeza de que a menina que ele vira crescer continuaria a seguir seu caminho. Queria que ela pudesse estar em seu lugar quando partisse.

- Nós venceremos essa guerra e você estará lá para ver!

- Um líder deve saber admitir suas perdas também!

Sua respiração enfraquecia, as palavras saiam pesadas. A garota tentou inutilmente levantá-lo, mas Aleister claramente tinha um peso muito maior do que Tonks poderia suportar. E o grande herói de uma geração dizia suas últimas palavras à sua amada: - Eu confio em você!

Outros falariam em amor, mas Tonks sempre lembraria que para aquele homem confiança estava acima de amor. E foi desta forma que o grande guerreiro partiu, não deste mundo, mas de sua vida. Se ele iria para algum lugar descobriria a seguir.

Mas esta seria outra história.




Epílogo – Tratado de Paz


Apesar de tudo, a partir daquele momento a Terra ganhou vantagens sobre Betelgeuse. Não somente pela chegada do último exército, que vinha das Américas, mas também pela ajuda de um povo que tinha aquele inimigo em comum com os terráqueos.

Tonks, movida não pela vingança, mas pela promessa que fizera, ajudou a vencer aquela guerra e ali se destacou. E ela sempre saberia: tudo que era e até mesmo o que viria ser deveria para sempre àquele homem que fora seu líder, tutor e amante.

O colar continuaria para sempre com ela e seria sua melhor lembrança. Seu amuleto que presenciaria muitas vitórias. Um pequeno objeto que sempre brilharia em seu peito e lembraria não somente sua mãe, mas também lembraria Aleister.

E assim o rei de Betelgeuse pediu trégua e acabou se rendendo diante da derrota certa. Quem iria até o planeta para assinar tratados de paz seria Mestre Dumbledore. Vendo nisso uma oportunidade Ninfadora Tonks apresentou-se no palácio pedindo permissão para acompanhar e proteger o Mestre nesta viajem.

Alvo Dumbledore era não somente um líder espiritual e político, mas entendia muito das artes das guerras, pois vinha de uma época em que os homens ainda faziam guerras entre si. Porém, sabia também que seria tolice fazer aquela viajem sozinho. E assim aceitou Tonks em sua guarda-pessoal para aquela viajem. O outro soldado que o acompanharia seria Remo Lupin.

- Por que apresentou-se voluntariamente para proteger Mestre Dumbledore? Não está pensando em vingança. Está? – Perguntou Remo pouco tempo antes da viajem.

- A vingança apodrece a alma das pessoas. Isso me faria incapaz de viver. – Ela sorria. – Eu irei salvar minha mãe.

E assim partiria Ninfadora Tonks, em busca de suas próprias cicatrizes e ainda assim sem deixar de seguir o caminho daquele que amou de tantas formas.


Fim




Observações:

I. Vários trechos da fic foram inspirados nas duas obras desse gênero de ficção que melhor conheço: O Guia do Mochileiro das Galáxias e Star Wars. Então não é mera coincidência termos como ‘Borda Ocidental da Galáxia’ e partes que citam ‘a Força’.

II. A citação sobre o dia polar se deve ao fato de que o dia no extremo sul ou no extremo norte do planeta costuma ter durações diferentes do que os outros lugares. Em latitudes superiores a 2 graus, o Sol não se põe por mais de setenta dias durante o verão, ou seja, não há noites durante mais de seis meses.

III. O fato de Tonks ter sido encontrada sem qualquer memória de seu povo se deve ao fato de Regulo ter apagado sua memória por meio de algum conhecimento de seu povo. Porém seu nome não foi apagado de sua memória, assim como seus conhecimentos já iniciados na escrita e matemática daquele planeta.

IV. Sempre quando no texto uso a palavra ‘amante’ eu não quis dizer amante em qualquer sentido de traição, mas apenas no sentido se alguém que ama. Na falta de uma palavra melhor para quem não tem uma relação como namoro ou casamento.

V. Eu sei que existe a teoria da relatividade. Mas ignorem ela quando digo que as espaçonaves atingiram a velocidade da luz. VI. Sei que de acordo com as datas de nascimentos dos personagens a diferença de idade seria enorme. Mas como a época é outra imaginei ele sendo mais velho que ela, mas nada muito absurdo.

Curiosidades:

I. As fontes de informação que vinham de Betelgeuse partiam de um espião terráqueo que vivia lá. Esse espião era Severo Snape.

II. Sirius Black fazia parte do exército de Moody e, no entanto, também não era terráqueo. Como está implícita sua presença num trecho. Ele abandonou seu planeta e mais tarde veio a lutar contra ele.

III. Quando cito a família de camponeses por quem Tonks seria adotada imaginei que fossem os Weasley, que na época ainda tentavam ter uma menina.


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