Shipper: Severo/Lílian/James

Classificação: +16

Disclaimer: Nenhum dos personagens citados na fanfic me pertence. Todos são propriedade da brilhante J.K. Rowling. O enredo, contudo, é uma realidade alternativa do enredo original. Aqui Lilian Evans se casou com Severo Snape.

Obs. Fic originalmente postada no dia 10 de fevereiro de 2011, para o challenge Realidade Alternativa, sendo a primeira que escrevi com uma censura mais elevada. Poucas palavras foram alteradas desde então.

























Severo estava feliz, sorridente. A vida lhe presenteara com seu mais almejado sonho: ser amado por Lílian Evans. Ele a pediu em casamento, ela havia aceitado. Isso foi durante a guerra bruxa.

Os anos passaram e o bruxo das trevas caiu. O casal apaixonado não viveu feliz para sempre num casamento perfeito. Os filhos, tão sonhados por ela, não vieram. Quando a ruiva visitava suas amigas, Severo jamais a acompanhava, mesmo que se tratasse de uma comemoração especial. Ela desistira de tentar convencê-lo.

Sem filhos. Casa silenciosa. Poucos amigos em comum. Definitivamente não era um casamento perfeito. Apesar de tudo eles se amavam.

De repente ela passou a sair mais vezes, dizia que iria visitar as amigas. Severo via a esposa maquiar-se vaidosa. Lily deixara de ser apenas uma garota estudiosa de Hogwarts para tornar-se uma mulher linda, atraente. E ele temia vê-la sair tão bela. Desacompanhada.

Virou rotina, todas as quintas ela gastava mais de seu tempo em frente ao espelho. Enquanto passava batom ela notava sua beleza, confiante. Depois sorria, um sorriso maroto. Se xingava mentalmente pelo que estava fazendo. Admirava mais uma vez seu reflexo, então saía sem uma certeza do horário em que voltaria.

Do outro lado da cidade ficava seu destino, a mulher encontrara o homem que jurou desprezar. Embriagada ela gemia nos braços do amante.

James Potter fingia não se importar com o papel de amante. Dizia para si mesmo: “prazer sem compromissos”; “Mas talvez encontrar-se com uma mulher casada seja um compromisso perigoso demais” outra voz em sua cabeça lhe dizia.

Da primeira vez que se encontraram foi ao acaso, no aniversário do pequeno Neville. Sendo amantes tinham mais amigos em comum do que ela jamais teria com o marido.

Severo ficava sozinho em seu laboratório particular, envolvido com as poções que fazia sob encomenda para o hospital St. Mungus. O homem não gostava de festas, eram poucos os amigos que ele visitava. Em seus pensamentos ele via a imagem da esposa em frente ao espelho maquiando-se de forma sedutora. Ele via seu sorriso orgulhoso, maroto.

De alguma forma ele sabia que ela não estava na casa de Marlene. Algo na expressão vaidosa de Lily a denunciava, todas as quintas-feiras. Mas algo nele o fazia não sentir raiva, não ir atrás dela. Ele sabia que a mulher estava infeliz com a esterilidade do casal. Ele sabia o que ela buscava.

James Potter havia herdado a fortuna de seus pais. O jovem era dono de uma bela mansão, mas não era lá o cenário da traição. Encontrava-se com a ruiva numa casa mais simples, porém bonita e arrumada.

Nada naquela casa importava: nem a cozinha arrumada ou suas paredes bem pintadas, tampouco os móveis luxuosos da sala, que por não servirem mais à mansão estavam ali. Talvez algo importasse: o enorme sofá confortável e bem cuidado e, sobretudo, a cama espaçosa no quarto.

A cama. O lugar onde acabavam os encontros, quase todos. O lugar em que o perfume de lírios estava impregnado, a marca de Lily. E também havia o cheiro dos cigarros de menta, que passara a ser característica de James.

Primeiro ela fazia questão de beber do melhor vinho que ele pudesse oferecer, como se a bebida pudesse aliviar sua culpa. E toda vez que ambos se satisfaziam de prazer ela jurava que aquele fora o último encontro. Ele sorria malicioso sem nunca acreditar.

Mas o ultimo encontro viria. Tão de repente como da primeira vez que ela permitiu que Potter arrancasse suas roupas. Não uma despedida planejada por eles, nem por Severo, mas por um quarto personagem.

Numa quinta eles se encontraram sem saber o que a sexta lhes preparava. Ele despiu suas roupas, e ela gemeu de prazer naquela cama uma última vez. A cama que ainda guardaria suas lembranças por muito tempo. Como sempre, trocaram poucas palavras, suas bocas estavam demasiado ocupadas em dizer o que sentiam de outra forma.

Por ironia, ao sair, ela não jurou que aquele fora o último encontro. Ela não disse qualquer palavra. Lily apenas sorriu, não um sorriso malicioso, vaidoso ou maroto, apenas um sorriso meigo, um “até mais” mudo.

Lílian ainda amava Severo, sempre amaria seu marido, seu melhor amigo. Mas a mulher descobriu-se apaixonada pelo amante, algo que era mais do que uma mera atração. Um vínculo criado pelos encontros e por todas as vezes que ela se sentira sozinha nos aniversários e festas das amigas grifinórias. E estava disposta a jamais confessar isso.

Na sexta-feira a ruiva foi até o St. Mungus buscar o resultado de um exame que fizera há dois dias. Algo que com a ajuda das poções de Severo ela poderia fazer em casa, mas ela optou por ir até o hospital, logo após sair de seu emprego. O resultado vinha na forma de uma carta, que, no entanto, ela deveria buscar.

Andando por um corredor típico do ambiente – porém, um dos mais desertos, sendo mais próximo aos laboratórios do hospital – ela começou a abrir o envelope, distraída. Antes que pudesse ler qualquer coisa esbarrou em alguém, provavelmente um medi-bruxo.

- Me desculpe... James? O que faz aqui?

Após a surpresa o amante sorriu malicioso ao perceber que não precisaria esperar até a próxima quinta para rever a ruiva. Por que não um encontro diferente? Ergueu a mão direita mostrando uma pequena cicatriz, recente.

- Quebrei o pulso jogando quadribol. E você, ruivinha, o que faz aqui?

Ignorando o ambiente ao seu redor, James Potter começou a se aproximar da mulher a sua frente. Ele não se importava com outros olhos, queria sentir novamente o toque daqueles lábios que tanto lhe atraiam. No fundo ainda restava algo do sentimento que ele nutria pela garota que ela fora em Hogwarts.

- Eu... vim apenas buscar o resultado de um exame de rotina, nada importante. – ao contrário dele ela se importava com o lugar onde estavam – O que está fazendo?

Ele tocou seu rosto com a mão que fora o motivo de sua presença ali enquanto usava a outra para segurar sua cintura, mas sem impedir a mulher de se afastar, caso ela desejasse.

- Não é obvio? – sorria malicioso, estava tão perto que podia sentir a respiração da mulher à sua frente – Vou te beijar!

- Você enlouqueceu? – o tom de voz usado por ela tentava demonstrar que ela não queria beijá-lo, mas não fez qualquer menção de se afastar.

Ignorando seus protestos James Potter a empurrou contra a parede usando os lábios para percorrer de forma provocante toda a extensão entre seu pescoço e seus lábios.

- James... não podemos. – suas palavras mais se aproximavam de gemidos do que protestos naquele momento – Não aqui. Alguém pode...

Suas bocas estavam próximas, os amantes respiravam o mesmo ar. O olhar malicioso dele a seduzia. A mulher sentia seu coração bater acelerado, sabia do risco que corria, sabia que alguém poderia sair magoado dali. Com uma mão ela ainda segurava a carta, com a outra bagunçava ainda mais os cabelos de James Potter.

- Tudo que é proibido, é melhor. – ele afirmou e então seus lábios se tocaram levemente.

Teria sido um beijo acalorado.

- Lílian. – outra voz falou, uma voz que trazia em si seriedade e decepção.

- Severo?

Os amantes foram flagrados em seu quase-beijo. James se afastou sem saber se sorria e aproveitava para esfregar suas verdades na cara do rival ou se ficava quieto para protegê-la. Lílian ainda estava encostada à parede, sem saber o que dizer ou como agir, sequer sabia como organizar seus pensamentos. Ela não se reconhecia mais. O que fizera de sua vida? O que a levara até ali?

Severo estava sério, não deixava transparecer todas as emoções que sentia, e eram tantas. Talvez ele sempre tivesse uma certeza de que aquilo fosse acontecer. No entanto, não estava preparado para ver sua mulher com outro homem, principalmente com James Potter. Teve vontade de matá-lo, e não com um feitiço, mas com suas próprias mãos. E viu que a mulher que fora o anjo em sua vida não era santa, não era perfeita, mas ele ainda a amava.

- Severo... – ela falou novamente, com um tom de súplica agora.

- Conversamos em casa. – e saiu.

Por um momento ela olhou para o amante, ali parado também. O que estaria pensando? Precisava fazer uma escolha:

- Adeus, Potter.

***


- Severo... – a mulher falou após derramar tantas lágrimas em seu caminho, que optou por percorrer a pé.

- Lílian, - ele nunca a chamava de Lílian, apenas de Lily – prefiro que não fale mais sobre isso. Só me responda uma coisa...

- Severo, eu estou grávida!

Foi a informação mais inesperada daquele dia, e naquele momento ele não sabia se era boa ou ruim. Não sabia o que responder, definitivamente precisava pensar.

Só havia uma certeza, algumas coisas mudariam naquela casa.

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