Obs. Texto originalmente postado dia 23/05/12, um singelo presente de aniversário para o João, que sonha em ir para Nova Iorque e que escreve no Sede de Palavras.



























Inverno em New York



Os pés calçados pisaram no solo frio, repletos de energia para ir a qualquer lugar. Mas não havia lugar para onde pudessem caminhar, estavam exatamente onde gostariam de estar. As pernas permaneciam firmes, como se diante de um movimento brusco o vento pudesse leva-las.

Os braços, contudo, não hesitaram: queriam abraçar o mundo, ou quem sabe abraçariam somente a bela paisagem daquela cidade. Talvez quisessem voar, apenas para sentir o vento gelado os embalar, para permitir aos olhos a visão que os fizesse chorar.

A face era um sorriso completo, que começava discreto nos lábios e refletia-se brilhante nos olhos claros. Por um instante, entretanto, fechou os olhos apenas para sentir o vento tocar o rosto, para sentir os últimos flocos de neve da madrugada tocarem a ponta do nariz. E não importava se os óculos estariam molhados ou embaçados.

Era a perfeita sensação de um sonho realizado!

Finalmente tomou coragem suficiente para continuar seus passos de rumo ainda indefinido. O vento não o levou, sequer apagou as pegadas abandonadas na neve, apenas o acompanhou bagunçando os poucos fios de cabelo descobertos.

Diante de si estava o parque que mesmo sem nenhuma indicação saberia reconhecer. E apesar do frio algumas pessoas corajosas não dispensavam sua caminhada matinal. Só então comtemplou o belo céu azul que se abria sobre si naquele começo de dia. Raras nuvens pintavam o céu com tons de rosa, encantando qualquer observador que ousasse olhar acima dos prédios da cidade.

- Wonderful! – de repente seus pensamentos não bastavam para a alegria que guardava em si, e mesmo sem necessidade usava a língua nativa do país que visitava.

Na aurora de um frio dia nova-iorquino uma jovem parou para acompanhar o olhar do rapaz em direção ao céu.

- Yeah! It’s so beautiful!

E o olhar dele não estava mais perdido no céu, mas sim no azul de olhos até então desconhecidos. Olhos que algum dia poderiam ser a inspiração de sua alegria mais do que um passeio sobre a neve do Central Park.

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